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quarta-feira, 30 de março de 2016

Ansiedade: É um assunto tabu?



Não é algo controlável.
Não estamos, nem a ser dramáticos, nem a tentar chamar à atenção. 
Não é mais uma moda. 
Não é nenhum capricho.
Não a desejamos. 

Eu sofro de ansiedade, não ou uma especialista, sou uma testemunha e é como tal que vos venho escrever hoje. Existem mil e uma coisas a dizer acerca deste problema mas, neste post específico, queria falar-vos um pouco sobre como sofrer de ansiedade ainda é, por diversos motivos, um tema tabu na sociedade e como isso acaba por influenciar a precessão das pessoas exteriores à situação tal como, por vezes, daquelas que a vivem, sobre o assunto. 
Não é fácil de admitir que se sofre de ansiedade já que, quer queiramos ou não reconhecer, ela influencia diversos aspetos da nossa vida e, a grande maioria das pessoas, não está informada acerca do assunto, tem ideias erradas deste problema, chega a existir alguma intolerância (ridícula) e desinteresse em querer saber mais. Obviamente, como em tudo na vida, as pessoas que se preocupam realmente connosco não estão indiferentes ao assunto e querem ajudar, só não sabem como. Li um artigo no site Hello Giggles que enumerava sete coisas que alguém com ansiedade quer dizer àqueles de quem gosta mas não diz, está bastante interessante e mais do que correto, vele a pena visitar a página quer estejam ligados, ou não, ao tema.

Não é algo que eu vá gritar para a rua, por todos os motivos e mais alguns, mas aconteceu, numa aula de MACS, às uns meses atrás, começar a ter um ataque e comentar o que se estava a suceder. Era quinta-feira, uma quinta-feira igual a muitas outras quintas-feiras, mas não é como se fosse um fenómeno inteiramente explicável, os ataques de ansiedade roubam à pessoa parte da sua racionalidade, despertam sentimentos que não compreendemos, que não fazem sentido mas que são reais e que infligem ideias absurdas na nossa cabeça. Começam com, ou sem motivo aparente e não preparam a sua chegada. Não era uma coisa grave, diga-se de passagem, mas estava a acontecer. A minha colega do lado não é alguém com quem tenha particular confiança, mas, no momento, pareceu-me acertado dizer-lhe o que se passava pois, em muitos destes casos, começo a sentir falta de ar, tonturas, náuseas e afins, podia precisar de ajuda. As palavras dela foram: "Nunca tive nenhum ataque de ansiedade, mas gostava só para saber como é que é.". Podem imaginar a minha cara. Afirmo, com cem porcento de certezas, que ela não se lembra desta situação, a mim ficou-me na memória, já que ,o choque de ouvir tais palavras, foi mais do que muito. Este tipo de curiosidade nasce de alguém que não conhece o sentimento que provém de um ataque de ansiedade e esta falta de conhecimento acontece graças à falta de circulação de informação sobre o assunto. Como já referi, não é algo que considere fácil de admitir, felizmente, já há quem tenha a coragem de o fazer, o que facilita a entreajuda e a procura de soluções por parte dos afetados. Mesmo assim, não acho que seja suficiente.
Já ouvi chamarem-lhe exibicionismo, moda, uma tentativa de chamar à atenção... Embustes, é o que é! Palavras saídas da boca de quem que nunca sentiu na pele o que não me atrevo a tentar descrever. É incompreendido, uma bola de neve de sentimentos e emoções que se arrastam e nos levam a afundar num lago maior do que o mundo. Lidamos com a ansiedade diariamente, aprendemos a viver com ela, a aceitá-la, a arranjar estratégias para a lidar-mos com a mesma. Não tem cura e é uma batalha constante, que não se consegue travar sozinho. É desgastante. O que parece insignificante aos olhos do mundo não o é para nós e é impossível ignorar algo que causa tanto impacto, mesmo que momentâneo. Não vale a pena tentar chamar-nos à razão, é inútil, apesar disso, tentar fazer-nos perceber que não estamos sozinhos, que alguém se importa, pode aliviar a situação.
Compreendo como que é passar por tudo isto sem ninguém em quem confiar, apercebi-me que o problema não ia desaparecer por ser ignorado ou por não ser dito em voz alta. O medo de confidenciar os nossos problemas a alguém é natural mas, medindo os benefícios e prejuízos, não é difícil dizer qual irá ganhar. 
É importante realçar que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza. Ter pessoas à nossa volta que nos ouvem e que se preocupam connosco não nos torna menos corajosos, pelo contrario. Já pensei desta forma, estava terrivelmente errada.  A partir do momento em que perdi o medo de contar às pessoas que me eram próximas que sofria de ansiedade, tornou-se mais fácil lidar com a situação e compreender o que tinha de fazer para apaziguar os seus efeitos.
Por vezes, quem  sofre de ansiedade, tem dificuldade em aceitar o problema graças às ideias erradas que a sociedade tem.  É importante que percebamos o impacto que tem nas vidas das pessoas certo assunto ser considerado tabu.
Em conclusão, é importante falar-mos sobre este assunto e educar  acerca do que é realmente sofrer de ansiedade. Ansiedade é diferente de nervosismo, de stress, tem impacto na vida de quem sofre com ela e das pessoas à sua volta e não define ninguém. Temos de saber ajudar aqueles à nossa volta e partilhar as nossas vivências, quando nos sentir-mos preparados. 
Gostava de abordar este tema mais vezes aqui no blogue, é algo que vos interessa? Gostaram do post? Estão à vontade para partilhar as vossas histórias nos comentários (anónimos ou não), também podem mandar-me um e-mail com as vossas experiências, teria todo o prazer em ler e partilhar. Se quiserem saber mais sobre o assunto não hesitem em perguntar, reponderei a tudo o que puder! 

24 comentários:

  1. Não te preocupes com o que as pessoas pensam a ansiedade é um problema muito comum!! Beijinhos,
    M.

    http://teengirlsarebloggers.blogspot.pt/

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    1. É verdade, a ansiedade é um problema cada vez mais comum, por esta razão é que deveria de deixar de ser um assunto tabu. Dever-se-ia divulgar mais o assunto porque é algo difícil de lidar e, por vezes, a opinião dos outros acaba por influenciar algumas situações que já são graves por si mesmas.

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  2. Todos sofremos mais ou menos de ansiedade. A verdade é que ha situações em que é inevitável. Temos de aprender a lidar com isso da melhor forma. Beijinho
    The-not-so-girlygirl.blogspot.com

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    1. Os casos de ansiedade são cada vez maiores mas, existe uma diferença entre stress (uma adaptação a novas experiências, um mecanismo de defesa quanto a algo que nos preocupa) e ansiedade (acaba por se tornar uma fobia a certos aspetos da vida, começa sem um motivo aparente, converte o medo noutros sentimentos e rouba parte da racionalidade ao indivíduo, é uma autêntica bola de neve). Tal como disseste temos de aprender a lidar com as situações da melhor maneira possível, por isso acho tão importante que se fale sobre o assunto. Beijinho!

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  3. Não sei se sofro de ansiedade, mas sem duvida é algo parecido, sofro imenso por antecedência e acabo por ficar mesmo em baixo ou nem conseguir dormir a pensar nas coisas erradas que podem acontecer.

    R: Obrigado por subscreveres o canal, eu vou tentar investir neste sonho, apesar de ainda ser muito insegura.

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    1. Pensas demais, esse é um grande problema. Simplifica! Não reflitas sobre a reflexão que isso só faz mal! (*esconde-se por debaixo da secretária porque se identificou com o comentário e devia seguir os próprios conselhos*)
      Espero que tenhas muito sucesso! Ser insegura é normal, só não deixes que isso atrapalhe os teus sonhos!

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  4. Eu concordo que a ansiedade deveria ser mais divulgada, porque esta está presente em todas as pessoas, umas mais do que em outras. Sem dúvida pedir ajuda não deve ser levado como um sinal de fraqueza, porque acaba por mostrar a maturidade de cada um. A minha mãe tem medo que eu sofra de ansiedade devido áquilo que eu ambiciono ser um dia.
    PS: o layout está super giro.

    R.: Pois parece. Claro que devemos admirar aquele gif ;)

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  5. Acho que é algo que devia ser mais divulgado e explicar que de facto acontece e que não é uma pessoa a chamar a atenção. A minha melhor amiga costuma ter ataques de ansiedade e pánico e algumas pessoas que conheço também tiveram. Devia-e falar mais sobre isso para eu própria saber como atuar...
    Bjs Bea

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  6. Gostei imenso do teu post :) Também já sofri muitos ataques de ansiedade, mas aprendi a lidar melhor com a situação e a controlar-me, ainda que às vezes não consiga.
    Também já levei com essas "boquinhas" do tipo querer exibir-me e blá blá blá... enfim, como tais comentários vêm de pessoas ignorantes e que não sabem o quanto nos custa passar por isso, ignora-se.

    Cidadã do mundo desconhecido
    http://cidadadomundodesconhecido.blogspot.pt/

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  7. eu acho q nao sofro de ansiedade mas por vezes fico "nervosa" com algumas situaçoes que estao para acontecer

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    1. É perfeitamente normal, todos o sentimos, é uma reação humana a coisas novas. Aprender a lidar com ele é importante!

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  8. Lidar com este problema não é fácil, ainda para mais quando as pessoas, das duas uma, ou tiverem algum receio em falarem dele ou, então, o encararem como se não fosse algo sério. Mas é. E muito! Infelizmente, ainda se tratam estas questões como se não fossem importantes, porque não são dores físicas, quando, na realidade, muitas vezes causam mais danos do que elas.

    r: Obrigada pelo comentário :)

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    1. Concordo plenamente! É por isso que devemos mostrar que não é um assunto que se encare de ânimo leve e que deve ser divulgado!

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  9. Entendo isso de ter medo de falar , as pessoas não entendem e por vezes julgam mal, é assunto que precisa ser discutido para ser compreendido.

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    1. Exato, é um assunto sério que deve ser discutido tendo essa consciência.
      Fico feliz por isso! É uma página muito boa!

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  10. Ah quase esqueço, conhecia o site que me falou mas nunca tive conta, depois de seu comentário resolvi que vou criar uma, obrigada

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  11. Vou ser honesta. Também passa-se exatamente o mesmo comigo. Acho uma ideia muito boa estares a divulgar isto, pois é altura de alguém ter coragem de o fazer. E espero que faças mais post como este para ajudar a "abrir as mentes" e até mesmo os "os nervos".
    Beijinhos
    http://missdreamer-blogger.blogspot.pt/

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    1. Irei fazer mais posts a falar deste tema, espero que tenham tanta adesão como este!
      Beijinhos

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  12. Tenho problemas de ansiedade e ataques de pânico desde que me lembro (o primeiro foi ainda na Escola Primária) e por isso percebo perfeitamente o que dizes. Aliás, já escrevi sobre muitos dos pontos que apontas (se te interessar, podes ver os meus textos no separador "Saúde" - http://iamtheluckythirteen.blogspot.pt/search/label/Saúde). No entanto, há um detalhe no início do teu texto que não posso concordar: os ataques de pânico e os problemas de ansiedade são controláveis, sim. Caso contrário não conseguiríamos ter uma vida, seríamos "engolidos" pela ansiedade :)

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    1. Gosto imenso dos teus posts acerca destes problemas, já que os partilho e, para além disso, os textos estão sempre muito bem escritos.Acho que já os li a todos. Parece-me que me interpretaste mal, o que quis dizer foi que nós não conseguimos controlar quando e onde temos um ataque de ansiedade não que eles em si não são controláveis.

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  13. A pertinência de alguns dos teus posts e a tua seriedade e correção a escrever fascinam-me. És parte do que me faltava encontrar no Blogger.

    Retomando este post.
    Não poderia compreender melhor tudo o que escreveste. Sei sofrer de ansiedade desde que me lembro. Há dias encontrei uma daquelas folhas que os professores costumam preencher no final de cada período e entregam aos encarregados de educação nas reuniões anuais. Fiquei surpreendida quando reparei que nos meus registos do 1º ano a professora tinha deixado uma anotação relativamente à possibilidade de eu sofrer, efetivamente, de ansiedade. A minha mãe sempre procurou contornar a situação (apesar da sua genuína boa intenção), colocando as possibilidades de tratamento a milhas. O meu primeiro ataque de ansiedade em público foi no secundário, no meio de uma aula de alemão – fiquei sem ar, sem chão, sem noção de como me poderia controlar. A professora arrastou-me para fora da sala e fez alguns exercícios de respiração comigo. Quando cheguei a casa e relatei o sucedido, a minha mãe não pareceu surpresa e disse-me ter assistido a episódios semelhantes quando eu era bastante pequena. Foi quando me matriculei para o segundo ano de faculdade que me consciencializei que não podia continuar a reprimir a situação, negando-me a qualquer tratamento. Era impossível continuar a arrastar a situação para debaixo do tapete, até porque tinha de fazer apresentações orais com alguma frequência e esse era um momento simplesmente terrível para mim, ao qual não podia fugir. Acabei por me ter algumas consultas na psicóloga e comecei a tomar comprimidos para esses momentos de maior tensão. Apesar de tudo, a sensação de que isto nos persegue é inevitável. É como se nos corresse nas veias. A única maneira de “controlar” a ansiedade parte de dentro de nós mesmos – é uma espécie de autocontrolo indefinível que começa no íntimo. No entanto, é um exercício extremamente difícil e que nunca está encerrado. Seria mil vezes mais fácil se conseguisse instalar um botão de off na minha mente!

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  14. Muito obrigada! Espero que acompanhes os próximos posts e que mantenhas a tua opinião.

    Fico muito feliz que tenhas a situação mais ou menos controlada. É verdade, é um problema que parte do nosso íntimo e que só pode ser apaziguado por aquilo que o cria, nós mesmos. É muito complicado lidar com ansiedade, não tem a ver apenas com o momento em si mas com o medo que se instala dentro de nós por nunca saber-mos quando vai acontecer. Descreves-te muito bem a sensação, " fiquei sem ar, sem chão, sem noção de como me poderia controlar". É exatamente isso que acontece, perde-mos o controlo de um barco que só nós conseguimos manejar. É difícil, e sim, era muito mais fácil se simplesmente desligasse-mos o botão e todas as vozes da nossa mente cessassem, não é possível e temos de continuar a lutar pelo autocontrole.
    Irei escrever outro post a abordar a ansiedade ainda este mês, espero, na altura, saber a tua opinião acerca do mesmo.

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