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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Tive um verão daqueles... : favoritos

Foi tal e qual como estar suspensa e, de repente, cair num tanque cheio de água. Não estava nervosa, coisa que até me surpreendeu, o início do novo ano letivo costuma deixar-me sempre com aquela sensação de relutância e inquietação tão características da minha pessoa, foi diferente, pode dizer-se que melhor; na passada quinta feira acordei sem qualquer peso nos ombros, apenas com um entusiasmo livre de preocupações, apesar de carregado com responsabilidades. Dia quinze e dia dezasseis foram, para mim, um ensaio, meras leituras do guião que terei de representar nos próximos nove meses. Pareceu tudo muito surreal mas agora, já pousada na realidade, vejo que as férias que considero terem sido tão bem passadas não passam de um conjunto de acontecimentos a relembrar. Setembro, como já disse, trouxe uma nova e encorajadora etapa. Estando isto estabelecido, pareceu-me por bem deixar, oficialmente, o verão para trás com este post e partilhar convosco as minhas memórias preferidas de uma verão carregado de bons momentos, lugares, livros, filmes, séries, música e pessoas, uma coletânea de favoritos dos últimos três meses. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Vamos falar sobre feminismo ou, por outras palavras, de igualdade




Não é um capricho
Não é uma imposição
É justiça

"Inócuo!", gritou o homem ao seu companheiro de discussão, tremendo de raiva e agitando o seu punho como sinal de repulsa e ódio perante o outro. Aquela rixa correu as bocas da vila, que desfaleciam de indignação ao ouvir que tal insulto fora prenunciado. Inócuo, a nova e derradeira ofensa, uma palavra tão diabólica que só era proferida quando a cólera era tanta que o indevido já tinha vontade de arrancar a própria cabeça. Um qualquer cérebro iluminado (peço desculpa, mas a história já não me está fresca na memória) ouviu falar do tão abalado vocábulo e, sabiamente, decidiu educar os vilãos. Inócuo não é uma palavra ofensiva, na verdade quer dizer inofensivo. Foi mais ao menos isto que aconteceu à palavra feminismo.
Existe um infindável número de ideias erradas acerca do feminismo, o que acabou por dar a esta palavra, ou melhor, a este ideal, uma conotação negativa. Quero esclarecer isso. Ser feminista não significa acreditar na superioridade do género feminino, não significa odiar o sexo oposto,  queimar  sutiãs ou deixar de usar pensos higiénicos,  não é um grupo de mulheres que não querem ter filhos ou ter uma relacionamento, que acham que usar maquilhagem é errado, não é, de longe, um movimento apenas direccionado para mulheres. 

O que é feminismo?

Igualdade.

Feminismo é a crença de que tanto homens como mulheres devem ter os mesmos direitos e oportunidades, politicamente, economicamente e socialmente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

E então, Setembro?: blog, vida a académica e pessoal



Pintura original: Etsy


Aerodynamically, the bumble bee shouldn't be able to fly,but she doesn't know it so it goes on flying away. - Marry Kay Ash

Em Setembro é mesmo isso que fazemos. Libertamos-nos dos medos, esquecemos-nos que não conseguimos voar e saltamos para um desconhecido que nem sabíamos existir. Isso é Setembro. É mudança, é entusiasmo, é tristeza e alegria, é novidade. Somos arrancados das férias que tanto esperámos ter, vemos o verão a caminhar numa direção oposta enquanto acena e nos sorri como se proferisse um "até já"melancólico. É, muito provavelmente, o segundo mês mais abalado do ano, em que nós, comuns mortais, pomos mãos à obra e ligamos o botão da produtividade, seja por opção ou porque somos obrigados.
Ontem, sentei-me e apercebi-me que já estava na hora de voltar ao blog, depois de uma semana com uma conexão à internet limitada, acompanhada por passeios e idas à praia, voltar a casa e ter realmente disponibilidade para escrever é refrescante. Não me interpretem mal, o meu mês de Agosto foi praticamente passado no Algarve,foram três semanas espetaculares mas, apesar disso, sentia falta das coisas mais simples como de me sentar à secretária e perder horas a aperfeiçoar um post, de ler outros blogs, de ver séries e filmes quando bem me apetecesse, de planear programas com amigos, de dormir na minha própria cama, de sentir que tenho tempo... Não foram três semanas seguidas mas Setembro chegou, o que significa ser puxada para uma realidade diferente, o que, para mim. é uma ideia bastante empolgante. 
Então, vamos começar pelo início, o blog. Sou muito perfecionista com a minha escrita, aliás, perfecionista não chega para descrever. Eu leio e relei-o os posts até as letras já só serem manchas pretas e eu me sentir realmente bem com aquilo que escrevi. Postar só por postar? Internem-me quando fizer isso. Assim, já tenho planeados os meus próximos textos. O blog é um sítio onde exploro todas as minhas diferentes camadas, ou seja, onde tanto escrevo com o meu lado mais soft e, por isso, chegam-vos textos com um caráter mais humorístico e textos que que falam um pouco sobre o  meu dia-a-dia ou sobre aquele filme ou aquele livro, como exprimo e partilho a minha opinião acerca de assuntos mais sérios ou reflexões acerca de tudo e mais alguma coisa. Este mês quero, definitivamente, continuar a explorar o melhor dos dois mundos, pelo que podem esperar pelo menos três posts acerca das minhas aventuras este verão, um segundo post a abordar o assunto Ansiedade e uns quantos textos de opinião cujos temas já estão mais que escolhidos (não se esqueçam que aceito sempre as vossas sugestões, qualquer assunto que queiram que eu fale, não se acanhem). Posso dizer que, estando agora por Lisboa, quero realmente concentrar-me no blog e na minha escrita, querendo aproveitar as duas semanas de férias que me restam para trabalhar nuns projetos que estão em stand by à demasiado tempo.
Escola... como é que isso se escreve mesmo?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Como apanhar uma estrela: Guia prático


Arte por: Jessica Durrant


Quando ainda era menos de metro e vinte de gente a cidade ainda não me abraçava como faz hoje e, como consequência da minha distância para com a excessiva poluição luminosa, eu gostava de me sentar no jardim, sorrir para o céu e contemplar as estrelas. Por entre a minha ingenuidade infantil, por entre sonhos e desejos de uma criança ambiciosa, ao olhar para toda aquela imensidão de azul noturno sobre a minha cabeça, cheguei à conclusão de que, o que eu queria mesmo muito (mesmo, muito, muito, muito,muito), era uma estrela. Eu sei, eu sei, quer dizer, agora sei, o que é verdadeiramente um estrela, na altura, aqueles pontinho luminosos e esbranquiçados, eram um mistério tão grande para mim quanto a existência de Hogwarts para o Harry Potter antes do seu décimo primeiro aniversário (como fã assumida da saga esta referência estava na ponta da língua meus amigos, lá teve de ser escrita). Nunca me disseram que era o Pai Natal quem me dava as prendas, o coelho da Páscoa era, para mim, algo um pouco ou quanto ridículo e sabia perfeitamente que, quando o meu primeiro dente de leite caísse, seria a minha mãe a deixar-me o dinheiro de baixo da almofada e não uma fada abelhuda com um fetiche estranho, no entanto acreditava plenamente que possuir uma estrela era uma ideia brilhante e concebível, só nunca ninguém se tinha lembrado de tal roubo fenomenal. Só faltava o "como",  algo que, para ser sincera, não me passou pela cabeça. Afinal, ninguém me  iria deixar tomar conta de algo tão preciso estando eu numa idade tão tenra, tinha tempo de pensar num plano mais tarde na minha longa vida, foi isso que fiz à uns dias.
Está calor, a janela do meu quarto está aberta e as cortinas estão corridas, porque há que deixar a luz do Sol beijar a mobília durante o dia e, que o brilho da Lua os acaricie enquanto dormem. Então, estava sentada na minha cama, provavelmente a prepara-me para ver mais um episódio de uma das série que acompanho, e olhei para o céu, como tantas vezes já olhei. Olhei para ele e disse um "Olá" às poucas velhas amigas que consegui ver brilhantes e elegantes dançando ao som do vento, o que me fez relembrar o tão peculiar sonho que tinha em criança. Devia-lhe isto, à criança que fui, devia-lhe uns minutos de atenção ao problema que nunca chegou a resolver.Escrevo-vos a resposta à pergunta "Como apanhar uma estrela?" e peço-vos que deixem vir ao de cima a criança que existe em vocês para que esta possa ignorar o facto de estar-mos a fazer um plano elaborado para apanhar uma esfera gigante de gás (qual é a piada em saber-mos disso?).

segunda-feira, 25 de julho de 2016

"A Rapariga no Comboio" - review




Título: "A Rapariga no Comboio" ( "The Girl on the Train")
Autor: Paula Hawkins
Editora: Topseller
Género: Thriller
1ª publicação: janeiro de 2015
1ª publicação em Portugal: junho de 2015
Número de páginas: 319

Sou uma leitora voraz (que não hajam dúvidas  disso),  no entanto os meus olhos nunca tinha parado num thriller. Não que não tivesse curiosidade, não que não gostasse do conceito, a questão é que, desde muito nova, que os livros de fantasia e os policiais são os que mais param nas minhas mãos, sendo que, de vez em quando, lá dá à costa um romance ou outro. Nesta onda de pensamentos, quando comecei a ouvir falar deste livro - chamado agora por muitos: o livro de 2015 - os meus olhos brilharam e, neste momento, "A Rapariga no Comboio" tem um lugar especial na estante do meu coração (ao lado da saga Harry Potter, d'O Principizinho, d'As Aventuras de Sherlock Homes e do icónico romance Orgulho e Preconceito).

Rachel, aquela a quem podemos chamar de personagem principal, faz a mesma viagem de comboio todos os dias. É nessa viagem que é confrontada com os próprios pensamentos sobre a sua vida, algo nada agradável, já que a mesma foi destruída pelo consumo compulsivo de álcool. Assim, precisava de um escape, precisava do casal "Jess e Jason". Era observadora, era essa sua capacidade que a entretinha nas viagens. A partir de um monde de roupas criava uma história, de  Jess e Jason, a vida perfeita. Sempre lhe pareceram o casal ideal quando os observava, todas as manhãs, durante o avermelhar do semáforo. E se a imagem de algo que consideram perfeito fosse arruinada? Foi isso que aconteceu a Rachel, a ideia que tinha sobre aquelas pessoas foi modificada e, a partir desse dia, a sua vida sofreu uma reviravolta, vendo-se envolvida numa teia de mistérios que se incube de desvendar custe o que custar, mesmo que o preço seja a própria vida.

O livro é dotado de toda uma atmosfera paranóica. É de um brilhantismo mórbido bastante singular do qual me tornei fã. O enredo, contado por três narradoras  autodiegéticas, Rachel, Anna e Megan, as três grandes personagens femininas, prende o leitor, está otimamente construído, a escrita é acessível e bastante expressiva, uma característica que me costuma atrair. É um livro carregado de mistérios nos quais Paula Hawkins nos encaminha, pouco a pouco, através das suas personagens.
Uma das características que me atrai tanto para esta obra é, sem dúvida, as personagens, bastante complexas e detestáveis. O leitor está sempre a olhar por cima do ombro sem nunca saber em quem confiar, é envolto em mentiras e atacado pelas personalidades difíceis de cada uma das narradoras. Acho isso fascinante, adoro cada uma das personagens por não simpatizar com nenhuma e por todas serem tão horríveis. Ao longo das páginas, percebê-mo-las, entramos na sua vida e somos marcados por elas.

É um livro life changing, faz-nos pensar no tão pouco que conhecê-mos as pessoas à nossa volta e como nada é o que parece. Cheguei à conclusão que é daquelas obras que, ou se ama, ou se odeia, visto que já li tantas boas opiniões como más. Há  quem não perceba o alarido feito à volta da obra, quem o ache aborrecido, há quem diga que a experiência foi estragada pelas altas espectativas, eu, como já repararam, tenho a melhor das opiniões. Avaliei-o no Goodreads com 4/5 estrelas.

A adaptação deste thriller estreia a  7 de outubro deste ano nos Estados Unidos, sem data confirmada em Portugal. O trailer  oficial já está disponível (contém spoilers).


A Rapariga no Comboio é uma caixinha de surpresas com um otimo plot e personagens surpreendentes. Um must read.



sexta-feira, 22 de julho de 2016

Foram só cerca de oito meses - 10º ano em 7 paragrafos

Com toda a  teatralidade da coisa, o Sol começou a sorrir, a chuva a cessar e todos nós começamos a perceber que , por muito cansaço que tivéssemos em cima (acreditem, era mesmo muito), o tempo passara mais depressa do pensamos que fosse passar. Consigo lembrar-me do dia da apresentação, do desespero que foi quando os pais foram chamados a outra sala sendo eu, como muitos outros, abandonada, largada aos lobos a quem mais tarde chamaria, com sinceridade, amigos. Lembro-me de ter olhado para alguns rostos e imaginado quem se esconderia por detrás, de pensar se uma das raparigas não teria calor com a camisa de flanela que tinha vestida, lembro-me da primeira pessoa com quem, mais tarde, falei, de como todos corredores pareciam iguais,  os professores intimidantes (sim, é para si stora de história), de como tudo o que se tornou usual era tão estranho e ameaçador. Não me lembro da noite anterior ao primeiro dia, penso que tenha sido  banhada por nervos e uma antecipação acarinhada por medo e entusiasmo em iguais quantidades, o que é certo é que, no caderno que mantenho na mesa de cabeceira, escrevi umas quantas palavras de motivação, pois digo, de muito pouco serviram, talvez se lhes tivesse ligado a música do piano tivesse soado diferente mas c'est la vie e, vendo bem, gente, estou viva e o meu 10º ano foi bastante positivo! Aprendi muitas coisas que me ajudarão para os meus próximos anos como estudante, tal como aprendi outro tanto sobre mim mesma e, mais importante, foi o verdadeiro ano de adaptação que todos me disseram que seria.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Ansiedade: É um assunto tabu?



Não é algo controlável.
Não estamos, nem a ser dramáticos, nem a tentar chamar à atenção. 
Não é mais uma moda. 
Não é nenhum capricho.
Não a desejamos. 

Eu sofro de ansiedade, não ou uma especialista, sou uma testemunha e é como tal que vos venho escrever hoje. Existem mil e uma coisas a dizer acerca deste problema mas, neste post específico, queria falar-vos um pouco sobre como sofrer de ansiedade ainda é, por diversos motivos, um tema tabu na sociedade e como isso acaba por influenciar a precessão das pessoas exteriores à situação tal como, por vezes, daquelas que a vivem, sobre o assunto.